O apoio político nos Estados Unidos elevou as expectativas sobre o oleoduto da Linha 5 e reposicionou Sarnia como polo estratégico, analisa Paulo Roberto Gomes Fernandes.

Apoio político nos Estados Unidos reforçou expectativas em torno do oleoduto da Linha 5 e reposicionou Sarnia no mapa energético

Najabia Wys
Najabia Wys
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O apoio político nos Estados Unidos elevou as expectativas sobre o oleoduto da Linha 5 e reposicionou Sarnia como polo estratégico, analisa Paulo Roberto Gomes Fernandes.

Paulo Roberto Gomes Fernandes presenciou os desdobramentos políticos ocorridos em setembro de 2025, quando o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio explícito à conclusão do projeto do túnel sob o Lago de Michigan, destinado a abrigar um trecho estratégico do oleoduto da Linha 5. Observado a partir de janeiro de 2026, esse posicionamento foi interpretado como um fator decisivo para reanimar expectativas econômicas na cidade canadense de Sarnia, diretamente dependente da continuidade da operação do duto.

A sinalização de Washington foi recebida de forma positiva pelas autoridades locais de Sarnia, principal polo petroquímico afetado por qualquer interrupção da Linha 5. O prefeito Mike Bradley vinha argumentando, desde o início do embate entre a operadora do oleoduto e o governo do estado de Michigan, que disputas políticas e regulatórias estavam interferindo em uma infraestrutura essencial para a economia regional. 

Linha 5, economia regional e segurança energética

A Linha 5 transporta petróleo e derivados líquidos essenciais para o funcionamento de refinarias, indústrias petroquímicas e sistemas de distribuição de energia no Canadá e nos Estados Unidos. No caso específico de Sarnia, a operação contínua do oleoduto é considerada estratégica para a manutenção de milhares de empregos diretos e indiretos. Na avaliação de Paulo Roberto Gomes Fernandes, a relevância econômica do duto explica por que o debate ultrapassou rapidamente o campo ambiental e passou a envolver segurança energética e relações bilaterais.

O memorando judicial apresentado pelo governo norte-americano à época reforçou esse entendimento ao classificar o fornecimento de energia acessível e confiável como requisito fundamental para a segurança nacional e econômica. Nesse contexto, tentativas de fechamento de oleodutos interestaduais foram descritas como potenciais ameaças a esse interesse estratégico, argumento que passou a sustentar a posição da operadora Enbridge nos tribunais.

O túnel como resposta técnica às pressões ambientais

O projeto defendido pela Enbridge prevê a construção de um túnel com cerca de sete quilômetros de extensão para substituir o trecho submerso do oleoduto no Estreito de Mackinac, área considerada sensível do ponto de vista ambiental. A proposta surgiu após incidentes que evidenciaram a vulnerabilidade do traçado atual e passou a ser apresentada como solução estrutural para reduzir riscos de vazamento.

Sob a ótica de Paulo Roberto Gomes Fernandes, o túnel representou uma alternativa técnica capaz de responder às preocupações ambientais sem comprometer o abastecimento energético. Ao deslocar o oleoduto para um ambiente confinado, profundo e monitorável, o projeto buscou elevar o nível de segurança operacional e reduzir a exposição a interferências externas, como âncoras e tráfego intenso de embarcações.

Conflitos jurídicos e disputas institucionais

Apesar do apoio político manifestado em 2025, o projeto continuou enfrentando resistência de grupos ambientalistas e de nações tribais de Michigan. Ainda naquele ano, a Suprema Corte do estado concordou em analisar uma contestação contra a aprovação do túnel pela Comissão de Serviços Públicos de Michigan. Os críticos alegaram que os impactos ambientais não teriam sido avaliados de forma suficiente e questionaram a real necessidade do oleoduto para a população local.

Com respaldo político nos EUA, o oleoduto da Linha 5 ganha força e recoloca Sarnia no centro do mapa energético, destaca Paulo Roberto Gomes Fernandes.
Com respaldo político nos EUA, o oleoduto da Linha 5 ganha força e recoloca Sarnia no centro do mapa energético, destaca Paulo Roberto Gomes Fernandes.

Em contraponto, a Enbridge reiterou confiança no processo de licenciamento, destacando que o túnel tornaria uma infraestrutura já considerada segura ainda mais protegida. Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, essa disputa ilustrou um cenário cada vez mais comum em grandes projetos de infraestrutura, em que decisões técnicas acabam submetidas a longos embates judiciais e políticos.

Repercussões no Canadá e pressão diplomática

Do lado canadense, autoridades de Ontário expressaram preocupação com os efeitos de um eventual fechamento da Linha 5. A interrupção do oleoduto foi apontada como risco direto à economia regional e ao mercado de trabalho. O prefeito de Sarnia chegou a defender maior envolvimento do governo federal do Canadá nas negociações, entendendo que o tema extrapolava interesses locais e assumia caráter nacional.

Na leitura de Paulo Roberto Gomes Fernandes, esse movimento reforçou a dimensão internacional do projeto e evidenciou como a infraestrutura energética pode se tornar elemento central de diplomacia econômica entre países interdependentes.

Expectativas técnicas e papel da engenharia especializada

Enquanto as disputas avançavam nos tribunais, empresas e profissionais do setor continuaram acompanhando o projeto sob a ótica técnica. Paulo Roberto Gomes Fernandes destacou que o túnel proposto apresenta desafios construtivos relevantes, com longos trechos em declive e aclive, diâmetro restrito e exigência de alta precisão no lançamento dos dutos.

A experiência acumulada em projetos semelhantes sustentou a avaliação de que a obra é viável do ponto de vista da engenharia, desde que haja definição jurídica e institucional. Para ele, a tendência observada no fim de 2025 era de formação de parcerias internacionais, combinando conhecimento local com tecnologias já testadas em ambientes confinados.

Um cenário redefinido a partir de 2026

Ao analisar o episódio com o distanciamento temporal de janeiro de 2026, compreende-se que o apoio político manifestado em 2025 não encerrou o debate, mas reposicionou o projeto da Linha 5 em um novo patamar. O caso passou a ser visto como símbolo do embate contemporâneo entre segurança energética, proteção ambiental e soberania regulatória.

Independentemente do desfecho final, a cidade de Sarnia voltou a figurar no centro das discussões sobre energia na América do Norte, e o túnel da Linha 5 consolidou-se como uma das obras mais observadas do setor. 

Autor: Najabia Wys

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