Investimento de R$ 1,4 bilhão entre Governo de Mato Grosso e Energisa prevê 5 mil km de nova rede rural até 2030 e já anima agricultores da região.
Produtores rurais de Tangará da Serra começam a sentir os efeitos do Programa MT Trifásico, lançado pelo Governo de Mato Grosso em parceria com a concessionária Energisa. A iniciativa prevê a construção de 5 mil quilômetros de rede elétrica trifásica em áreas rurais do estado entre 2026 e 2030, com investimento total de R$ 1,4 bilhão, dividido igualmente entre o poder público e a empresa. O anúncio, feito em maio, já provoca reação entre pequenos e médios produtores da Linha 12 e de outras regiões do município, que veem na energia trifásica a chance de reduzir custos e ampliar a produção. A expectativa é que a ampliação da rede permita a instalação de agroindústrias em propriedades que hoje dependem de energia monofásica, considerada insuficiente para equipamentos de maior porte. O programa também foi consolidado como lei pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o que garante fiscalização legislativa sobre a execução dos recursos nos próximos anos.
Como a energia trifásica pode mudar a produção no campo
A diferença entre energia monofásica e trifásica vai muito além da conta de luz. Segundo relatos de produtores da região, o custo para implantar equipamentos com energia monofásica pode ser mais de três vezes maior do que o necessário para os mesmos equipamentos funcionando com rede trifásica. Um produtor de café da Linha 12, em Tangará da Serra, afirmou que o investimento em maquinário para sua propriedade cairia de R$ 18 mil para cerca de R$ 5 mil caso a energia trifásica estivesse disponível desde o início. Esse tipo de economia tende a se repetir em centenas de pequenas propriedades da região sudoeste do estado, onde a agricultura familiar convive lado a lado com grandes lavouras de soja, milho e algodão.
Além da redução de custos, a rede trifásica abre espaço para que produtores familiares deem um passo que hoje parece distante: transformar matéria-prima em produto final dentro da própria propriedade. Quem trabalha com leite, frutas ou café passa a ter condições técnicas de montar pequenas agroindústrias para produzir queijos, polpas ou cafés especiais, agregando valor a uma produção que hoje é vendida quase sempre in natura. Esse movimento de verticalização é visto pelo setor produtivo como um dos principais gargalos do agro mato-grossense, já que o estado concentra grande parte da produção primária do país, mas ainda processa uma fatia pequena dela dentro de suas fronteiras. A chegada da energia de qualidade também deve facilitar o uso de sistemas de irrigação de maior potência, resfriadores de leite e secadores de grãos, equipamentos que exigem estabilidade elétrica para funcionar sem prejuízo à produção.
O que muda para Tangará da Serra e a região sudoeste
Mato Grosso já possui cerca de 62 mil quilômetros de rede trifásica distribuídos pelos 142 municípios do estado, mas a distribuição é desigual e municípios do interior, como Tangará da Serra, ainda enfrentam trechos extensos de rede monofásica em áreas rurais mais distantes do perímetro urbano. É justamente para reduzir essa desigualdade que o programa prevê critérios técnicos de priorização, levando em conta a densidade de produtores, o potencial produtivo da região e a existência de novas fronteiras agrícolas em expansão. Um conselho gestor, formado por representantes da Casa Civil, das secretarias estaduais de Fazenda, de Agricultura Familiar e de Desenvolvimento Econômico e da Assembleia Legislativa, ficará responsável por definir os trechos prioritários e acompanhar a execução das obras ao longo dos próximos anos.
Para entidades ligadas ao setor produtivo, a ampliação da rede tende a favorecer diretamente municípios como Tangará da Serra, que combina forte presença de agricultura familiar com uma cadeia industrial em crescimento, incluindo frigoríficos, laticínios e beneficiadoras de grãos já instalados na região. A ideia é que essas estruturas passem a atrair também pequenas unidades de processamento em propriedades menores, o que pode gerar emprego e renda dentro do próprio município, em vez de exportar apenas a produção bruta para outras regiões. O cronograma detalhado das obras em cada município ainda depende da definição dos eixos estruturantes pelo conselho gestor, mas a expectativa entre produtores da região é que os primeiros trechos comecem a sair do papel ainda neste ano.
A confirmação da lei que criou o MT Trifásico, aprovada pela Assembleia Legislativa em junho após a derrubada de veto do Executivo, reforça o compromisso do estado com a execução do programa nos próximos anos. Para quem vive da terra em Tangará da Serra, a promessa é concreta: menos gasto com energia, mais estabilidade para equipamentos e a possibilidade real de transformar produção em renda dentro da própria propriedade. Resta agora acompanhar o ritmo das obras e a definição de quais trechos da região sudoeste serão contemplados nas primeiras etapas, um capítulo que promete se desenrolar ao longo dos próximos meses e que deve figurar entre os temas mais acompanhados pelos produtores da região.
Fontes: gov.br/anac (referência institucional), cenariomt.com.br, matogrossoeconomico.com.br, mtfatos.com.br
