Quando um projeto social desenvolvido em um bairro específico de São Paulo começa a ser replicado em outros estados, isso não é apenas um sinal de crescimento. É uma evidência de que o modelo tem consistência suficiente para funcionar em contextos diferentes, de que a metodologia é transferível e de que a liderança que o conduz tem visão além do imediato. Eloizo Gomes Afonso Duraes demonstrou exatamente isso ao expandir a Fundação Gentil Afonso Duraes para o Maranhão, a Paraíba e Pernambuco ao longo de menos de uma década.
O Jaguaré como laboratório
A zona oeste de São Paulo onde a Fundação nasceu foi, em certo sentido, o laboratório onde o modelo foi testado, ajustado e consolidado. Entre 2003 e 2005, Eloizio Gomes Afonso Duraes acumulou aprendizados fundamentais: quais atividades geravam mais impacto, como estruturar o transporte de forma a garantir a frequência das crianças, como integrar os programas de educação, saúde e assistência alimentar de forma eficiente, como construir confiança com as famílias atendidas.
São Luís, João Pessoa e Recife
Em janeiro de 2005, a Fundação chegou a São Luís, no Maranhão, levando para o Nordeste uma proposta de inclusão social que já havia demonstrado resultados concretos em São Paulo. A escolha pelo Nordeste refletia uma sensibilidade geográfica importante: a região concentra alguns dos piores indicadores sociais do país, com altos índices de vulnerabilidade infantil, acesso precário à educação de qualidade e desigualdade estrutural profundamente enraizada.

Em fevereiro de 2007, foi a vez de João Pessoa, na Paraíba. Em abril de 2010, Recife, em Pernambuco, também passou a ser atendida. Cada nova localidade representava um desafio diferente: adaptar o modelo ao contexto cultural local, construir equipes comprometidas com a missão da Fundação, estabelecer relações de confiança com comunidades que nunca haviam tido contato com a entidade.
A arte de escalar sem perder a essência
Um dos maiores riscos de qualquer expansão no campo social é a perda da qualidade e da identidade que tornaram o projeto original bem-sucedido. Eloizo Gomes Afonso Duraes navegou esse risco com cuidado, garantindo que a expansão fosse orgânica e responsável, guiada pela capacidade real de entrega e não por ambições de escala descoladas da realidade operacional.
O resultado é que a presença da Fundação nos estados nordestinos não foi efêmera. Consolidou-se ao longo dos anos, criou raízes nas comunidades locais e produziu o mesmo tipo de impacto duradouro que havia sido construído no Jaguaré. Eloizio Gomes Afonso Duraes demonstrou que é possível crescer sem se perder, expandir sem fragmentar e estar presente em múltiplos contextos sem deixar de ser autêntico em nenhum deles.
O significado político da expansão
Há uma dimensão política, no sentido mais amplo do termo, na decisão de expandir uma fundação paulistana para o Nordeste do Brasil. É um reconhecimento explícito de que as desigualdades regionais do país são reais, de que comunidades fora dos grandes centros econômicos também merecem acesso a programas de qualidade e de que a responsabilidade social de um empresário não se limita ao entorno de sua sede comercial.
Para Eloizo Gomes Afonso Duraes, a expansão foi consequência natural de uma convicção: de que o compromisso com a transformação social não pode ter fronteiras geográficas quando há necessidade além delas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
