Rodrigo Balassiano

Rodrigo Balassiano: baterias de armazenamento de energia abrem nova fronteira para o crédito estruturado da ID CTVM

Mateo Valcera
Mateo Valcera
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Rodrigo Balassiano

Queda no custo de sistemas de armazenamento e a necessidade de estabilizar a oferta de fontes renováveis intermitentes impulsionam projetos de baterias em larga escala, movimento que começa a atrair estruturas de crédito privado lastreadas em contratos de comercialização de energia

A expansão acelerada de fontes renováveis intermitentes, como a energia solar e eólica, trouxe consigo um desafio técnico que passou a ocupar espaço crescente no planejamento do setor elétrico brasileiro: como garantir o fornecimento estável de energia em períodos nos quais o sol não incide ou o vento não sopra com intensidade suficiente. Sistemas de armazenamento de energia por meio de baterias, tecnologia conhecida pela sigla em inglês BESS, surgem como resposta a esse desafio, permitindo estocar o excedente de energia gerado em momentos de alta produção para disponibilizá-lo posteriormente, quando a demanda supera a geração instantânea das fontes renováveis.

A queda expressiva no custo de sistemas de armazenamento em larga escala nos últimos anos tornou economicamente viável um número crescente de projetos de baterias conectados à rede elétrica, tanto em complemento a usinas solares e eólicas já existentes quanto em instalações independentes, contratadas para prestar serviços de estabilização à rede. Esse movimento começa a atrair o interesse de estruturas de crédito privado, à medida que os contratos de comercialização firmados por esses projetos passam a representar um fluxo de receita relativamente previsível, capaz de lastrear operações de antecipação de recursos.

Contratos de prestação de serviços à rede lastreiam novas estruturas

Diferentemente de uma usina de geração tradicional, cuja receita está diretamente atrelada ao volume de energia efetivamente gerado e vendido, um projeto de armazenamento pode obter receita tanto pela venda de energia estocada em momentos de maior demanda quanto pela prestação de serviços de estabilização e reserva de capacidade à rede elétrica, modalidades contratuais que ainda estão em processo de amadurecimento regulatório no Brasil.

Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, essa multiplicidade de fontes de receita exige que administradores fiduciários acompanhem de perto a evolução regulatória do setor antes de estruturar operações de crédito lastreadas nesse tipo de ativo.

“O armazenamento de energia ainda é uma fronteira em construção regulatória no Brasil, com diferentes modalidades contratuais sendo testadas e aprimoradas pelo setor elétrico. Um administrador fiduciário que se antecipa a essa curva de aprendizado, acompanhando de perto a evolução das regras aplicáveis a esses projetos, tende a estar mais preparado para estruturar operações de crédito privado à medida que o mercado de baterias ganhar escala no país”, avalia o executivo.

A ID CTVM já atua na estruturação de fundos lastreados em recebíveis do setor elétrico, o que inclui contratos de comercialização de energia de projetos solares e, mais recentemente, o acompanhamento de operações que envolvem sistemas de armazenamento associados a esses empreendimentos, aplicando a esses ativos os mesmos processos de auditoria de lastro e conciliação utilizados em fundos de outros segmentos da economia real sob sua administração.

Due diligence técnica ganha nova camada de complexidade

Assim como ocorre na estruturação de fundos lastreados em contratos de geração solar, a estruturação de operações de crédito para projetos de armazenamento envolve uma camada de due diligence técnica que avalia a qualidade dos equipamentos instalados, o histórico de desempenho do sistema de baterias e a solidez dos contratos que sustentam a receita do projeto. No caso do armazenamento, essa análise ainda soma a avaliação da vida útil esperada das baterias e da degradação de sua capacidade de estocagem ao longo do tempo, fator que impacta diretamente a geração de receita do ativo nos anos finais do contrato.

Essa camada adicional de complexidade técnica reforça a importância de equipes especializadas, capazes de dialogar tanto com engenheiros do setor elétrico quanto com analistas financeiros tradicionais, de forma que a estrutura de crédito reflita com precisão os riscos específicos de um ativo ainda em fase de consolidação tecnológica no país.

Consumidores industriais de grande porte, que buscam reduzir custos de energia por meio de contratos de longo prazo com geradores e, cada vez mais, com operadores de sistemas de armazenamento, também compõem o universo de contrapartes analisado na estruturação desse tipo de operação. A solidez financeira desses consumidores finais, que em última instância sustentam boa parte do fluxo de receita de um projeto de armazenamento, entra na avaliação de crédito com peso equivalente ao atribuído à qualidade técnica do próprio sistema de baterias.

Perspectivas para o financiamento do armazenamento de energia

Com o setor elétrico brasileiro avançando na regulamentação de serviços prestados por sistemas de armazenamento e o custo dessa tecnologia seguindo em trajetória de queda, a expectativa é que o número de projetos de baterias em operação no país cresça de forma consistente nos próximos anos, ampliando também a demanda por estruturas de crédito privado capazes de financiar sua expansão. Para administradores fiduciários especializados em crédito estruturado para o setor de energia, acompanhar de perto essa evolução regulatória e tecnológica deve seguir como um fator determinante para sustentar a confiança de investidores em fundos voltados a esse segmento emergente da economia real. Habilitada pela Comissão de Valores Mobiliários e pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais para atuar em administração fiduciária e custódia qualificada, a ID CTVM soma à estruturação de crédito para o setor elétrico a mesma experiência técnica já consolidada em fundos voltados a outros segmentos de infraestrutura sob sua administração.

Sobre a ID CTVM

A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

 

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